quarta-feira, 3 de junho de 2009

Susan Boyles

Não quero discutir a feiura de susan boyles que contrasta com a beleza de sua voz, o q eu acho discutivel nesse caso é a surpresa que tomou nao apenas a platéia, como os jurados e todo o mundo, esperava-se que ela cantasse de forma tao ridícula quanto seu modo pueril de apresentar seus objetivos nesse samba do crioulo doido, que é esse reality show . Um grupo de dançarinos ganhar de uma cantora, francamente.
Esperar que beleza tenha afinidade com talento é uma dessas distorçoes loucas que nao fazem muito sentido.
Jackson do Pandeiro jah sabia disso quando declarou o sapo um ótimo cantor, embora que seja de lagoa.
Susan é o sapinho que saiu da lagoa pra encantar o mundo, nao tem a beleza de Maria Callas, mas sua voz encanta, isso é o que importa.
Apesar de sofrer com a fama instantanea, Susan tem um futuro brilhante inclusive na Broadway, onde inclusive o produtor que criou peças q tantas vezes fez Susan sonhar, agora sonha com Susan em suas peças.
Voe Susan, voe. Voe meu passaro feio. Voce nasceu pra encantar com algo que nao dá pra construir em clinicas de estética e isso ninguém vai tirar de voce.

V

terça-feira, 26 de maio de 2009



Aí estava o mar, a mais ininteligível das existências não-humanas. E ali estava amulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia umapergunta sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava sangue.Ela e o mar.Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: aentrega de dois mundos in-cognoscíveis feita com a confiança com que se entregariamduas compreensões.Lóri olhava o mar, era o que podia fazer. Ele só lhe era delimitado pela linha dohorizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

Deviam ser seis horas da manhã. O cão livre hesitava na praia, o cão negro. Porque é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulherhesita porque vai entrar.Seu corpo se consola de sua própria exigüidade em relação à vastidão do marporque é a exigüidade do corpo que o permite tornar-se quente e delimitado, e o que atornava pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpoentrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio da madrugada.A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazianessa hora, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no marem simples jogo leviano de viver. Lóri está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque ésalgado e grande, e isso é uma realização da Natureza. A coragem de Lóri é a de, não seconhecendo, no entanto prosseguir, e agir sem se conhecer exige coragem.Vai entrando. A água salgadíssima é de um frio que lhe arrepia e agride em ritualas pernas.Mas uma alegria fatal — a alegria é uma fatalidade — já a tomou, embora nem lheocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que adesperta de seu mais adormecido sono secular.E agora está alerta, mesmo sem pensar, como um pescador está alerta sempensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda — e abre caminho nagelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que aoposição pode ser um pedido secreto.O caminho lento aumenta sua coragem secreta — e de repente ela se deixa cobrirpela primeira onda! O sal, o iodo, tudo líquido deixam-na por uns instantes cega, todaescorrendo — espantada de pé, fertilizada.Agora que o corpo todo está molhado e dos cabelos escorre água, agora o frio setransforma em frígido. Avançando, ela abre as águas do mundo pelo meio. Já não precisade coragem, agora já é antiga no ritual retomado que abandonara há milênios. Abaixa acabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre osolhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quaseimediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos e com a altivezdos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias deágua, bebe-a em goles grandes, bons para a saúde de um corpo.E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido espesso deum homem.


Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal,
os olhos avermelham-se pelo sal que seca, as ondas lhe batem e voltam, lhe batem e
voltam pois ela é um anteparo compacto.
Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois já
conhece e já tem um ritmo de vida no mar. Ela é a amante que não teme pois que sabe que
terá tudo de novo.
O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez
menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer: quer ficar de pé parada no mar.
Assim fica, pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate, volta. A
mulher não recebe transmissões nem transmite. Não precisa de comunicação.
Depois caminha dentro da água de volta à praia, e as ondas empurram-na
suavemente ajudando-a a sair. Não está caminhando sobre as águas — ah nunca faria isso
depois que há milênios já haviam andado sobre as águas — mas ninguém lhe tira isso:
caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe opõe resistência à sua saída puxando-a
com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera.
E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o
esqueça, nunca poderá perder tudo isso. De algum modo obscuro seus cabelos escorridos
são de náufrago. Porque sabe — sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser
humano.

porque voce faz cinema ?

porque vc faz cinema e porque eu fiz um blog ?

Para chatear os imbecis Para não ser aplaudido depois de seqüências dó de peito Para viver a beira do abismo Para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público Para que conhecidos e desconhecidos se deliciem Para que os justos e os bons ganhem dinheiro, sobretudo eu mesmo Porque, de outro jeito a vida não vale a pena Para ver e mostrar o nunca visto o bem e o mal, o feio e o bonito Porque vi "Simão no Deserto" Para insultar os arrogantes e poderosos quando ficam como "Cachorros Dentro D'água" no escuro do cinema Para ser lesado em meus direitos autorais.

coraçao vadio

Chega a ser solene escrever pela primeira vez no meu blog, e como jah dizia Saramago com uma boa dose de ironia, grandes momentos exigem grandes palavras, grande Saramago.
Queria q este blog tivesse a minha cara, mas logo desisti por nao saber bem o q isso quer dizer.
Entao pensei em uma especie de colcha de retalhos, onde cada imagem ou palavra q chamasse minha atençao ou q me tocasse fosse costurado aqui neste blog.
Nao me cobrem coerencia nobres visitantes incautos, tenho problemas serios com semantica e ainda nao descobri o significado real desta palavra, coerencia.
Vou fiando este blog da forma caotica como a vida vai me conduzindo ou eu a conduzo, espero realmente estar no controle da situação.
Agradeço as visitas e os comentarios pode ser q isso signifique alguma coisa.